quinta-feira, 8 de abril de 2010

.

"Dizem que o tempo cura tudo, mas há feridas eternas. A dor passa, a ferida sara, mas a cicatriz está sempre lá. De vez em quando esticamo-nos de mais e somos assolados por uma dor, mais forte do que alguma vez esperávamos. E, apesar de ser uma dor instantânea, que passa rapidamente, relembra-nos velhas feridas de guerra que nos marcaram, e leva-nos a sitios da memória que não estamos prontos para revisitar. Fechamos esses locais, escondemos as piores recordações e aprendemos a viver com isso, mas esta dor rompe todas as fechaduras e o que deu tanta dor no passado, e todo o esforço utilizado para não relembrar parece agora um esforço inútil. Assim, nunca estamos verdadeiramente curados. Apenas aprendemos a esconder o que queremos e habituamo-nos a viver com isso. E tudo isto acontece devido a um esticão, uma pequena acção que pensaríamos que não teria qualquer valor no dia-a-dia. Mas todas as acções têm consequências, por mais pequenas ou inesperadas que sejam. E às vezes pensamos 'não devia ter feito isto, secalhar não tinha acontecido aquilo', mas lá está 'mais vale a verdade fatal que a ilusão desgastante'. Podemos não perceber como é que de acções mundanas chegamos a determinada situação, e até podemos pensar que se não tivéssemos feito certa coisa talvez o resultado fosse diferente, mas não. Chega a uma altura em que a verdade é inevitável e está à frente dos nossos olhos. Nós não a vemos porque não queremos e com a nossa pequena acção que achamos que não vai mudar nada acabamos por dar uma oportunidade a outra pessoa para nos mostrar essa verdade, crua e nua, que não queríamos ver. Por isso não nos devemos arrepender do que fazemos mas sim enfrentarmos os problemas e lidar com eles. 'Quando amamos, sejeitamo-nos ao sofrimento.' Esse deve ser o nosso pensamento pois no fim 'seguimos caminhos diferentes agradecemos por nos termos conhecido'."

Sem comentários:

Enviar um comentário