Pedes-me mais do que posso dar. Nunca tinha acontecido, eu sei, mas há uma primeira vez para tudo. Dantes pedias-me neve e eu dava-te uma montanha. Pedias areia e eu dava-te um deserto. Pedias água, dava-te um oceano. Pedias uma estrela, dava-te uma constelação. Pedias o meu amor e eu dava-te o meu coração.
Agora, pedes-me o Universo, mas já não está ao meu alcance. Cansei-me de te dar o que querias e ainda mais, sem nunca apreciares o que fazia. Agora, a loja fechou. E o que acontece é que vais perceber que já não passas sem mim. Precisas de mim, nem que seja como amiga e sabe sporquê?
Porque eu nunca fiz as coisas erradas. Fiz sempre tudo bem, de maneira a que agora, não sentes falta da pessoa que dava mais nas vistas. Essa não era eu. Sentes falta da pessoa que passava despercebida e que te apoiava sempre. Essa sou eu.
Agora, todos sorriem contigo, mas tu precisas de mim para chorar. Agora, tens com quem partilhar as vitórias, mas precisas de mim para afastar os falhanços. Agora, todos dão atenção ao que dizes, mas precisas de mim para entender o que queres dizer. Agora, todos te ouvem e dizem palavras simpáticas, mas precisas de mim para te ouvir e dizer as piores coisas do Mundo, para abrires os olhos. Agora, todos te amam pelo que vêem, mas precisas de mim para te amar pelo que és. Porque a verdade é que fiz as coisas, não de maneira a dares por mim, mas de maneira a sentires a minha falta quando me for embora.
Mas é tarde demais e agora já fui embora.